Entrevista: Mc Guimê fala sobre o seu primeiro disco, “Sou Filho da Lua”; confira

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Por Guilherme Mendes

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Um dos principais expoentes do funk ostentação, Mc Guimê ficou conhecido nacionalmente em 2012, por meio de vídeos publicados de forma independente na internet. Numa época onde o gênero voltava com força total, e um turbilhão de novos nomes surgiam a cada instante no país, Guilherme Dantas se destacava por seu estilo peculiar,  emplacando o sucesso “Plaque de 100” – que hoje, conta com mais de 70 milhões de visualizações no youtube.

Aos 24 anos, o paulista de Osasco já possui música em novela global, milhões de seguidores, amizade com grandes nomes como Neymar, agenda lotada e instabilidade financeira. Contudo, ainda faltava algo para que a promissora carreira de Guimê se tornasse completa: o lançamento de seu primeiro álbum.

O sucesso repentino fez com que o funkeiro, desde o início, trabalhasse apenas com singles e Ep’s divulgados na internet. Porém, a vontade de ter em mãos um disco físico com o seu próprio trabalho era grande. “Eu sempre tive o sonho de ter meu CD, assim como o meu pai tinha os discos dos ídolos dele. Tanto que nem pensei no retorno financeiro, já sabendo da queda nas vendas do disco físico“, conta Guimê em entrevista ao Portal da Música, para falar do seu primeiro trabalho, intitulado “Sou Filho da Lua”. O álbum foi lançado nacionalmente na última sexta-feira, 11, pela Warner Music.  Confira o bate-papo completo:

Você conseguiu chegar ao estrelato sem um álbum lançado. Como foi para você, depois de anos lançando faixas individuais, entrar no processo de gravação de um disco completo? E o que esse disco representa na sua carreira?
Esse primeiro disco representa, basicamente, tudo. Tudo o que aprendi nesse tempo, que eu amadureci e evolui, musicalmente falando, eu trouxe para esse disco. O processo de entrar em estúdio para produzir um disco completo foi algo novo, mas, graças a Deus, muito fácil de fazer pelo fato de eu gostar disso e sempre estar em estúdio. E sinceramente falando, eu prefiro ficar dois ou três dias em estúdio, do que os outros compromissos que temos que cumprir, que são bem mais cansativos. Produzir é algo que eu amo, e quando eu pude ver o disco pronto foi uma sensação incrível. É ver que tudo aquilo que passamos, gerou um resultado. Uma recompensa do trabalho!

Por que o nome “Sou Filho da Lua”?
Eu sempre fui muito da noite, desde novo. Quando eu escrevia algumas rimas, ia até a casa de amigos e ficávamos até tarde vendo aquilo. E nesse meio tempo, eu olhava para a lua, conversava e brincávamos de rimar. Então, eu sempre tive esse lance de olhar pro céu enquanto e querer abraçar o mundo. E quando comecei a trabalhar bastante, isso não mudou. Às vezes estava na estrada, e me pegava olhando pra lua e refletindo sobre tudo o que estava acontecendo comigo. E tudo isso é parte de um sentimento meu, que estava no meu coração e quis expressar no nome “Sou Filho da Lua”. Foi o nome mais apropriado que encontrei e também virou título da música que fiz sobre a minha história.

O disco conta com uma lista imensa de parceria, com artistas de diferentes vertentes.  Como foi a escolha de cada um deles? 
Em todas as parcerias eu procurei seguir a linha de algum vínculo ou amizade. Todos eles são meus amigos, mas eu tenho tanto amigo na música, de estrada, que se eu quisesse ter feito um álbum só de parceria, daria uns 50 ou 100 nomes (risos). Mas também tem aquele lance de ser o primeiro álbum, e precisar ter calma. Isso foi me regrando. Eu sou doido e já queria chamar 50 pessoas pra fazer o álbum comigo, mas fui ouvindo faixa a faixa e vendo quais teriam, realmente, que ter parcerias e qual tinha a cara de quem. Mas sempre visando a amizade ou importância da pessoa na minha história. E fiquei muito feliz de ter conseguido reunir tanta gente boa no disco.

A internet se tornou uma ferramente essencial na descoberta de novos artistas, e você, mais do que ninguém, já pôde sentir isso. Porém, na visão de muitos, isso acaba desvalorizando, financeiramente falando, um disco, por exemplo. Como você, que é fruto da internet e agora está lançando o primeiro álbum físico, enxerga esse cenário?
Tem os dois lados: o positivo e o negativo. Na internet, você precisa tomar muito cuidado com o que fazer, mas não deixar que ela faça por você. Eu procurei usufruir da internet tudo aquilo que era bom, e isso abriu portas para mim. Eu comecei a ter acessos,  fazer shows, tudo por meio dela. Cada hora surge um artista novo na web, ela realmente tem força pra isso. Porém, eu como músico e como artista brasileiro, sempre tive o sonho de ter meu CD, assim como o meu pai tinha os discos dos ídolos dele. Tanto que nem pensei no retorno financeiro, já sabendo, como você falou, da queda nas vendas do disco físico e força do digital. Mas foquei mais na realização em ver a arte, a capa com o meu nome, o disco nas lojas. Poder dar um ‘salve’ na minha tia, no meu avô e falar “vai lá na loja, pega meu disco”. E acredito que quem gosta de música não perde isso por nada. Faz questão de ter o disco em mãos.

Falado um pouco do processo criativo do álbum, tanto os clipes já lançados, quanto a própria capa, segue uma linha meio vintage, psicodélica e ao mesmo tempo bem moderno. Isso foi algo da seu? E você seguirá o conceito durante todo a divulgação do disco?
Eu sou um cara que me inspiro e me espelho muito na galera que faz o trabalho lá fora, no cenário americano. Vira e mexe eles estão fazendo coisas novas, sempre lançando álbuns. E eu fui me ligando em tudo o que estava acontecendo. Eu queria deixar a minha essência nacional, mas com essa levada moderna deles. A ideia partiu de mim, mas contei com a ajuda de pessoas essenciais. No caso da arte, foi o Diego Silveira e o Erick, que são pessoas que trabalham muito bem com isso, e quando entreguei as fotos nas mãos deles, eu já sabia que daria certo. Nós trabalhamos na mesma ideologia e no mesmo foco de querer apresentar algo inovador. É algo que sempre esteve presente em mim, mas que eu ainda não tinha lançado pro público. E nada mais justo do que repassar aquilo que eu ouço e que eu gosto.

Você começou, predominantemente, no funk e hoje, principalmente com a junção de todos esses artistas no álbum, seu trabalho tem se tornando cada vez mais amplo. Como você avalia essa sua evolução musical e como definiria, em um gênero, o “Sou Filho da Lua”?
Eu definiria como música brasileira. É uma música popular brasileira, mas ao mesmo tempo tem o funk, o rap, o axé. Tem tudo (risos). Então eu resumiria dessa forma, pois a música brasileira para mim é isso, a mistura sem barreira. A galera que gosta do funk, também gosta do rap. E eu trouxe isso ao disco. E com relação às parcerias, em querer ampliar, era um foco meu quebrar essas barreiras. Poder fazer um show com a galera sertaneja e fazer um show com a galera do funk, ou do rap. E o disco, com certeza, está evidenciando isso.

O que você tem ouvido hoje em dia?
Eu ouço muitos estilos, mas principalmente o hip-hop americano e também o rap nacional, como Racionais Mc. Tenho ouvido também um álbum lançado recentemente pelo Tropkillaz, Ganjaman, do Sabotage. São pessoas que sempre estiveram presentes comigo. Mesmo não mudando muito o meu gosto, eu acabo ouvindo de tudo. Tudo o que eu ouço e é bom, eu acabo colocando na playlist.

Agora com o lançamento do álbum, quais os próximos passos? Você pretende sair em turnê?
Sim. Assim que sair o disco, se Deus quiser, os passos que tomaremos será a turnê “Sou Filho da Lua”. Vai ter uma temática com o álbum, vai rolar também algumas promoções com isso, alguns shows de lançamento. Eu quero focar nesse trabalho. Esperamos muito para que ele fosse lançado, então agora é o momento de viver isso. É um trabalho impecável e estou louco pra leva-lo para a rua!

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